30/01/09 - 10h00
SÃO PAULO - Aos poucos, o mercado parece perceber que as condições para o reajuste de preço do minério de ferro começam a melhorar para as mineradoras. O início de ano da Vale (VALE5, VALE3) impressiona. Parece ignorar a insistência da crise no noticiário, as demissões diárias. Sua ação já recuperou 19% do valor em menos de um mês, graças a esta expectativa.
Apesar da breve recuperação, o papel ainda está muito descontado aos olhos dos analistas. O consenso aponta que o mercado precifica um intervalo entre 30% e 40% de queda no preço do produto. Qualquer redução menor que estes percentuais, portanto, surpreenderá. E há motivos para se apostar na surpresa.
Crise primeiro na China
Além dos sinais já mencionados - dos preços spot, dos estoques chineses, do valor dos fretes - há teorias de que seu principal mercado consumidor, a China, sentiu os impactos da crise antes das outras economias internacionais, diferentemente da impressão causada pelo começo dos problemas nos Estados Unidos.
Especialmente no setor, a desaceleração chinesa se fez presente logo após o término dos jogos olímpicos, na metade do ano passado. A ressaca do evento deixou em stand by investimentos em infraestrutura, que vinham de taxas exponenciais de crescimento.
“A produção chinesa teve seu pior momento no mês de outubro e novembro, e alguma recuperação já pode ser vista em dezembro. Além do aumento do consumo, também pode ser verificado aumento nos preços desde o começo deste mês. Estes dados passam a idéia que a demanda na China já está apresentando recuperação, apesar da queda de 16% frente ao máximo de produção, visto em agosto”, argumenta a Link Investimentos.
A relação com o frete
Outra questão que deve ser considerada é o valor dos fretes. Pela maior distância na comparação com rivais australianas e indianas, a Vale carrega custos de frete maiores. Para se ter uma idéia, uma siderúrgica chinesa chegou a pagar US$ 80 por tonelada à brasileira em julho, mais um frete próximo de US$ 107 por tonelada. Nos US$ 187/ton do preço final, 57% são de frete.
Com a desaceleração econômica e forte retração do preço dos combustíveis, as taxas de frete já caíram pela metade.
Margens blindadas
Pesa a favor da Vale o fato de o minério de ferro ser menos sensível às variações de preço dos metais básicos, haja vista que seus contratos de fornecimento são de longo prazo.
“O minério de ferro é um dos poucos minerais/metais cujas margens permanecem acima de 50% mesmo em caso de uma significativa queda nos preços”, destaca o banco suíço Credit Suisse.
Longe da ação
Enquanto a rodada de negociações recém começa, o mercado de aço dá breve sinal de melhoria. Rumores dão conta de que a Vale abriu as conversas sugerindo uma redução de 10% nos preços e as siderúrgicas argumentam com a deterioração das economias.
Como os contratos firmados são de longo prazo, os preços spot parecem ser o melhor indicador para o resultado das negociações. Atualmente, os dados mostram apenas um pequeno desconto entre os preços do minério de ferro à vista e os contratos de longo prazo, afirma a Link.
Sob este argumento, o reajuste implícito atual é de -11%; muito perto do reajuste sugerido pela Vale, um pouco mais distante dos -20% projetados pela Link, mas muito longe dos 30% a40% de queda que a ação projeta.
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