terça-feira, 7 de abril de 2009

Bolsa de Valores: Cassino ou Investimento

Quando um brasileiro de classe média ouve falar em bolsas de valores, a primeira imagem que vem a sua mente é a de cassino ou de casa de apostas. A bolsa é vista por muita gente como “ciranda financeira”, um lugar onde os milionários arriscam seu dinheiro de modo destemido e apostam em empresas como se fossem cavalos. Também se imagina que investidores recebem dicas de ações sussurradas como as barbadas do turfe.

O resultado disso costuma ser, segundo tal visão, uma espiral de perdas e ganhos. As perdas, em geral para o cidadão comum e os ganhos, para aqueles que manipulam as cotações graças ao acesso a informações privilegiadas. Essa imagem da bolsa, portanto, nunca, em toda a história do Brasil, esteve tão distante da realidade.
O espetacular “boom” do mercado de capitais no Brasil nos últimos anos está revolucionando a maneira de pensar, principalmente dos empresários brasileiros.

Paira no ar a sensação de que negócios bem estruturados podem se viabilizar dentro de uma cadeia financeira inédita no país. Essa sensação liberta um espírito empreendedor e capitalista até há pouco tempo desconhecido para os brasileiros. Trata-se de um esboço de Brasil novo, mais estável, globalizado e competitivo. Faz parte de um modelo de nação mais livre e aberta, que oferece uma alternativa de desenvolvimento viável se apoiado por um estado eficiente e justo.

As ações negociadas nas bolsas de valores nada mais são do que “pedaços” do capital de uma empresa. Quem compra ações na bolsa o faz com expectativa de se tornar sócio de uma empresa e de obter um bom retorno, advindo da lucratividade e do crescimento da companhia. As empresas ao abrirem capital, buscam obter recursos para investir, seja contratando gente, sejam equipamentos ou inteligência. Em vez de pedir dinheiro emprestado a bancos, mais empresas buscam captar dinheiro de novos sócios nas bolsas para aperfeiçoar seus produtos e serviços e assim, obter mais lucro. Esse lucro é devolvido ao investidor pelos dividendos distribuídos e pela valorização das ações, pois as empresas que lucram mais valem mais.

Até então, o mercado de capitais não exercia seu papel de intermediar a poupança e o investimento na economia. Com a estabilização, a privatização e a abertura da economia a partir de 1994, o Brasil começou a atrair somas vultosas de investimento estrangeiro direto, ou seja, investimento em empresas tipicamente de propriedade ou controladas por empresas estrangeiras. Portanto, até 2005 pouco capital estrangeiro foi investido em empresas brasileiras, ou seja, pouquíssimo dinheiro veio para a bolsa de valores.

Ao longo do tempo, no entanto, as coisas começaram a mudar para melhor. As leis das Sociedades Anônimas e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) foram reformadas dando a CVM melhores condições de exercer seu papel de proteção aos acionistas minoritários; os investidores institucionais começaram a ter uma postura mais ativa na gestão das empresas, e a Bolsa de Valores de São Paulo criou o Novo Mercado, uma listagem especial, que identifica as empresas que obedecem a critérios rigorosos de governança corporativa. Além disso, a superação da crise de confiança de 2002, a retomada de um processo de alta nas principais bolsas de valores do mundo, especialmente emergentes, assim como a queda nas taxas de juros domésticas, contribuiu para uma extraordinária decolagem da nossa bolsa. Foi como um passe de mágica: plantadas as semente, assim que o tempo melhorou veio uma sensacional colheita. Os números falam por si: os lançamentos de ações na bolsa atingiram 14 bilhões de reais em 2005, 30 bilhões em 2006 e 70 bilhões em 2007! Esses números são expressivos e como proporção do PIB começa a ser relevantes.

Desta forma, a revolução capitalista vivida pela economia brasileira hoje é resultado da modernização de nosso mercado de capitais e está sendo provocada pela bolsa de valores. Não há crescimento econômico sem crescimento das empresas. Portanto, é à hora ideal para o cidadão comum abandonar as idéias gastas sobre a bolsa e tentar entender como ela funciona e favorece o crescimento da economia.

Para Investir: www.ipeinvest.com.br
Para Aprender: www.ipeeducacao.com.br
Para Informar-se: www.marketwatch.com.br

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