segunda-feira, 15 de junho de 2009

Bônus do Cruzeiro do Sul tem forte demanda

SÃO PAULO - O Banco Cruzeiro do Sul conseguiu captar US$ 60 milhões lançando bônus no mercado externo. Foi o primeiro banco médio a acessar o mercado de bônus no exterior desde o a piora da crise, em outubro do ano passado. A demanda surpreendeu. O banco previa lançar US$ 30 milhões, mas a procura chegou a US$ 74 milhões, vinda principalmente de investidores asiáticos, que ficaram com 40% dos papéis.

Os bônus têm prazo de dois anos e o dinheiro será usado para reforçar as operações de crédito consignado do Cruzeiro do Sul. O banco projeta crescimento de 20% na carteira to- tal de empréstimo para 2009.

Luis Octavio Indio da Costa, presidente do Cruzeiro do Sul, conta que o banco só conseguiu emitir lá fora porque, mesmo nos piores momentos da crise, seguiu com suas visitas periódicas aos investidores externos. A cada 90 dias, a instituição faz um " road show " pela Europa, Ásia e Estados Unidos mostrando seus números. Foi na última reunião, para apresentar os números do primeiro trimestre, no início de maio, que o banco " sentiu " que havia espaço para lançar papéis lá fora. " Foram os próprios investidores que demonstraram interesse no papel. "

Os principais compradores foram as áreas private (para clientes de alta renda) de bancos, que procuravam papéis com rentabilidade atraente. O cupom (juro nominal) do bônus do Cruzeiro do Sul saiu a 9% ao ano. A operação foi liderada pela BCP Securities. Apesar da demanda acima da oferta, o executivo conta que o banco optou por não atender a todos os pedidos porque não queria ficar muito concentrado em papéis de dois anos.

O Cruzeiro do Sul tem um programa de US$ 1 bilhão em bônus como os lançados agora. Segundo o presidente do banco, o objetivo é voltar ao mercado externo no final do segundo semestre, provavelmente com uma oferta maior e de prazo também mais longo. " Tudo vai depender de como estiver o mercado. " Segundo Índio da Costa, as coisas estão melhores, mas ainda estão difíceis. " O mercado está 40% do que era antes da crise. Ainda está complicado. "

No mercado local, Índio da Costa conta que os investidores institucionais estão voltando a comprar papéis de bancos médios, mas apenas por meio dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). Esses papéis contam com um aval extra do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 20 milhões ao aplicador se o banco quebrar. " Esse investidor tinha sumido e agora voltou. "

O crédito do Cruzeiro do Sul também já dá sinais de chegar a níveis pré-crise. Em junho, a previsão é que o volume de empréstimos chegue a 80% do que foi no melhor mês do banco, no primeiro semestre do ano passado. Em maio, ficou em 75% desse total.

As taxas devem cair mais, refletindo a queda da Selic de um ponto na quarta-feira, que surpreendeu o mercado. Segundo Índio da Costa, no consignado a redução deve ser menor, porque as taxas já estão muito baixas. Segundo o Banco Central, o juro médio está em 2,12% ao mês.

Ainda entre os bancos médios, o BicBanco anunciou que conseguiu um empréstimo de US$ 35 milhões da Corporação Interamericana de Investimentos (CII), que pertence ao Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O dinheiro será usado para financiar operações de crédito de empresas de menor porte, principalmente nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste do país.

(Altamiro Silva Júnior | Valor Econômico)



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Fonte:Valor on line

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