segunda-feira, 15 de junho de 2009

Mercado tenta avaliar intensidade da retomada

São Paulo,SP (FolhaNews) Os investidores já consideram, nos seus planos e estratégias, que tanto a economia norte-americana como a brasileira estão no rumo da recuperação após a mais grave crise desde a década de 1930. Agora, eles buscam, nos indicadores econômicos que serão divulgados, pistas para fazerem a sintonia fina das suas apostas. Por isso, o grande destaque da semana é a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que sai na quinta-feira. Na quarta passada, o órgão decidiu cortar a taxa básica de juros brasileira em um ponto percentual, para 9,25% ao ano. A medida surpreendeu o mercado, pois, diante de uma desaceleração menor do que a esperada da economia no primeiro trimestre do ano, esperava-se uma redução no ritmo de baixa dos juros. Como a decisão não foi unânime -dois dos oito membros do comitê preferiam uma diminuição de apenas 0,75 ponto da taxa-, os investidores buscarão no documento os argumentos que fundamentaram a opção dos demais para tentar descobrir como eles agirão nos próximos encontros. Os dados acerca da atividade econômica no país também são aguardados com ansiedade, afinal, ainda está demasiadamente difícil estimar quando o PIB (Produto Interno Bruto) voltará a crescer e qual será a velocidade da retomada.

Hoje a FGV (Fundação Getulio Vargas) informa o seu sinalizador da produção industrial referente a maio, o qual ainda deve apontar uma queda substancial. Amanhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga as vendas do comércio em abril -os economistas esperam uma elevação de 0,8% ante o mês anterior e de entre 9% e 10% na comparação com abril de 2008. O Ministério do Trabalho e Emprego anuncia os números sobre a criação de vagas com carteira assinada em maio também nesta semana.

Economia americana.

No que diz respeito aos EUA, a discussão que tem crescido nos últimos dias é sobre a possibilidade de o país voltar a subir os seus juros mais cedo do que se imaginava.

Os analistas avaliam que, como a renda dos consumidores não caiu muito com a crise, eles podem voltar a gastar logo, o que resultaria em aumento de preços. Os juros americanos estão em níveis historicamente baixos, entre zero e 0,25 ponto percentual. Outro motivo para a autoridade monetária dos EUA tornar a elevar a taxa é a crescente necessidade de financiamento do país.

As recentes medidas para tentar ressuscitar a atividade, como os reembolsos de Imposto de Renda para pessoas físicas e empresas, e os pacotes de socorro aos bancos e às montadoras fizeram a dívida pública disparar. Nos próximos anos, o governo terá que emitir mais títulos de dívida para equilibrar o Orçamento e, para que os investidores continuem a comprá-los, será obrigado a oferecer rendimento maior. O índice americano de preços no atacado sai na terça, e o do varejo, na quarta. "Devem mostrar alguma alta, por conta da pressão do petróleo", comenta Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia. Na última semana, o combustível atingiu o seu maior valor desde novembro de 2008, acima dos US$ 70 por barril. Também na terça serão divulgados dados sobre a produção industrial americana no mês passado -a previsão é a de uma baixa de 0,8%, superior à de 0,5% registrada em abril.

Na quarta, o presidente do Fed (o BC americano), Ben Bernanke, faz discurso.




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Fonte:Agência Folha

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